
Economia portuguesa no século XVII e XVIII
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Lê o texto.O estado da economia portuguesa, segundo D. Luís da Cunha (1747)
No fim do reinado de D. João V, o diplomata português D. Luís da Cunha traça o seguinte quadro da economia portuguesa:
O que logo salta aos olhos é que Portugal não tem frutos, nem géneros para se permutarem com os que nos entram de fora, não só quanto à qualidade mas também quanto à quantidade e variedade. E para prova do que digo […] junto a lista de frutos e géneros que os estrangeiros tiram1 de Portugal, e o que nele introduzem, como por exemplo:
Os Franceses tiram de Portugal couros em cabelo, pau do Brasil, laranjas, limões, azeite […] sabão de todas as castas, melaço, açúcar, tabaco do Brasil […].
É de reparar que os Franceses sempre foram aumentando os direitos (de entrada em França) dos ditos frutos e mercadorias, desde o ano de 1664, sem que usássemos da represália, como seria justo, levantando-lhes também à proporção os direitos da entrada dos que metem em Portugal, o que lhes seria mais sensível, porque são em muito maior quantidade e de melhor qualidade, a saber: em primeiro lugar de Paris vem uma droga a que chamam moda, que vai por toda a Europa. E segundo diz o marechal de Vauban […] é um dos melhores ramos do comércio da Europa. […]
Os Ingleses tiram de Portugal vinhos em grande quantidade, azeite moderadamente, couros da Baía, pau do brasil, laranjas […].
Mandam para Portugal panos […] meias de lã, chapéus e outras mais coisas. […]
[O principal] seria examinar quais são as fazendas estrangeiras, que poderíamos proibir por totalmente inúteis, quais poderíamos nós mesmos fabricar para delas não necessitarmos […].
Começando pois pela primeira droga, que França nos manda, que é a moda, já o senhor rei D. Pedro a quis inutilizar […] e proibiu o uso dos galões e estofos de prata e ouro.
[…] Deixo à consideração dos nossos ministros fazer renovar a pragmática do senhor rei D. Pedro proibindo a entrada de todas as fazendas que contribuíam ao luxo […]. Não há dúvida que há muitos géneros que não podemos manufaturar, e é necessário comprá-los aos estrangeiros, como por exemplo, as roupas finas, que vão de França e Holanda, mas quem nos impede tê-las [às manufaturas] de todos os géneros que se fazem de lãs e sedas, que é o grosso comércio de Inglaterra e Holanda, e ainda de França?
[…] Alguém poderá arguir que, se diminuir em Portugal o consumo de géneros de Inglaterra, também se diminuirá o seu dos nossos vinhos; ao que respondo: que neste caso tornarão as vinhas a ser de pão, como dantes eram.
Testamento Político ou Carta Escrita pelo grande D. Luís da Cunha ao Senhor Rei D. José I antes do seu Governo. Redigida em 1747.
1 No sentido de importam.
Ao referir que “Portugal não tem frutos, nem géneros para se permutarem com os que nos entram de fora, não só quanto à qualidade mas também quanto à quantidade e variedade” D. Luís da Cunha põe a tónica
O ministro francês responsável pelo aumento dos direitos de entrada das mercadorias portuguesas em França, no ano de 1664, foi: